Diário de Notícias da Madeira, 26.05.2013

Nunca foi tão fácil constituir uma sociedade comercial como hoje. É simplex! O empresário inexperiente e porventura inocente dirige-se à Loja do Cidadão, é atendido por um jovem funcionário que lhe apresenta um cardápio de denominações sociais e de minutas de pactos sociais para consulta. Após alguma hesitação momentânea, escolhe o nome mais exótico que encontra. Depois fixa o capital social pelo mínimo legal, nomeia-se gerente e lá vai à procura de subsídios públicos, que são cada vez mais escassos. Começa então a adquirir bens e serviços que não paga, incumpre as suas obrigações fiscais com a fazenda pública e segurança social, abandona os seus trabalhadores, prestadores de serviços e rapidamente vira costas à sociedade que tão facilmente constituiu, deixando inúmeros problemas por resolver em Tribunal e nos serviços públicos, vindo o Estado a suportar elevados encargos com tais processos, incluindo o processo de insolvência. Feitas as contas, todas estas “simplexidades” só prejudicam a nossa economia e a sociedade. Pelo contrário, precisamos de verdadeiros empresários empenhados em construir o seu negócio a prazo, investindo os seus recursos e o seu tempo na sua empresa. Empresários dispostos a arriscar o que é seu. Por seu lado, o Estado e a Banca devem apoiar este tipo de empresários, que planeiam e controlam rigorosamente a sua actividade e que se preocupam em cumprir as suas obrigações. Apesar dos conhecidos efeitos da globalização, da abertura dos mercados e das economias de escala criadas pelas grandes empresas, julgo que continuam a existir oportunidades de negócio para as ditas PME e micro empresas locais, nos sectores da economia sustentável e não especulativa. O que não se compreende é que o Estado e a Banca não estejam a apoiar estas últimas empresas, sobretudo aquelas que ainda existem, ao invés de contribuírem (por acção e omissão) para a arrepiante escalada das insolvências e do desemprego que estão a destruir a economia e a nossa sociedade.